Olhando algumas situações, percebo que parece ser extremamente confusa a noção de investimento para as autoridades públicas do nosso interior baiano. Algumas prefeituras, por exemplo, fazem questão de manter algum estímulo para que as pessoas da cidade possam cursar alguma faculdade ou curso técnico. São ônibus comprados, casas alugadas, enfim, tudo neste intuito muito nobre de capacitar a mão de obra da localidade.

Há que se observar, contudo, que todo este investimento é inútil se, ao concluir o curso e retornar à cidade de origem, estas pessoas que se beneficiaram do justo financiamento para sua capacitação são privadas da possibilidade de desenvolver suas aptidões. É isso o que acontece em 90% dos casos. Assim, todo o investimento converte-se em gasto, pois a mão de obra qualificada acaba por migrar para os grandes centros onde as oportunidades tendem a ser mais promissoras.

Não é de se espantar uma situação destas se atentarmos para o fato de que o “ser político” interiorano vê este investimento como despesa eleitoral, onde cada beneficiário do serviço prestado é um eleitor em potencial para o próximo pleito. Soma-se ainda gosto deste ser abominável não pela qualidade profissional, mas sim pela qualidade “bajulacional” o que torna o mercado de trabalho nestas cidades, insuportável.


A mídia televisiva baiana para se esmerar em furos e mancadas ao vivo. Pensei já ter visto de tudo na tv baiana, âncora chamando baleia de crustáceo, entrevista sobre um assunto que era negado veementemente pela entrevista. Mas hoje, o cúmulo parece ter sido atingido, ao menos até agora.

Poucos instantes após publicar um post no blog UESC Anos Depois, liguei a TV e enquanto zapeava, presenciei um momento bizonho. O apresentador Casemiro Neto, em seu “Que Venha o Povo”, ficara embasbacado com um vídeo que, segundo o próprio, o fora enviado e seria uma prova indubitável da visita de extra-terrestres ao litoral norte baiano. Vendo as imagens “verídicas” do tal UFO, notei que se tratava de um vídeo que fora publicado há cerca de um ano no youtube, com o título de “UFO Haiti” e fora desmentido logo em seguida pelo vídeo “UFO Haiti PROOF it’s FAKE”. Este segundo vídeo revela que o “UFO Haiti” não passa de uma produção de computação gráfica feita a partir de modelos que vem com o software “Vue 6 Esprit - The Art of Natural 3D”. Algo que pode ser facilmente comprovado ainda com este vídeo.

O mais bisonho de tudo não é a fraude difundida pela internet, mas sim a falta de cuidado com o conteúdo que vai ao ar nas tvs baianas. Sequer é checada a veracidade da informação, o que é potencializado pelo excesso de sensacionalismo barato destes programas “mundo cão”. Uma completa falta de respeito à inteligência do público baiano.

Será que os produtores destes programas acreditam no discurso do ex-coordenador do curso de medicina da UFBA? Não posso responder com exatidão, mas foi a primeira vez que vi um boato de internet tomar alguma proporção na mídia televisiva….


Apesar da propensão ao senso comum que sugere o título deste post, discordo da afirmação de que a televisão aberta brasileira seja estúpida como um todo. Creio que como meio que catalisa bem as características provindas da inserção de nosso país, tardiamente industrializado, agrário e com índices absurdos de analfabetismo no contexto mundial da cultura pós-moderna, este meio acaba por levar a culpa por uma espécie de banalização recorrente nos meios tradicionais, como bem define Arlindo Machado.

Afinal, os blockbusters estão aí, mas ninguém culpa o cinema pela banalidade explícita na enxurrada de enlatados americanos que invadem as prateleirdas das locadoras. Tanto quanto ninguém chega a ser insano o suficiente para culpar a literatura pela falta do que dizer estampada nas prateleiras das grandes livrarias repletas de best-sellers.

Ao meu ver, por produzir uma quantidade inumerável de material, o tal fluxo contínuo de Mcluhan, acabamos por generalizar nosso conceito sobre a televisão pelo volume absurdo de amenidades que são veiculadas. Questão de proporção.

Vou citar um bom programa, que vai ao ar semanalmente com uma ironia e ousadia peculiares e prova a existência de vida inteligente na televisão aberta brasileira:

CQC Trata-se do CQC, programa veículado às 22:15 das segundas-feiras na tv Bandeirantes. Baseado num modelo de programa surgido na Argentina e muito popular também no Chile, que mistura bom humor, jornalismo, ironia e denúncia. No Brasil, que conta com a participação de não menos que Marcelo Tas como um dos âncoras, o programa traz repórteres sarcásticos e irônicos, hábeis em fazer aquelas perguntas que todos querem fazer a personalidades e políticos. Basta lembrar que em dos episódios, um dos repórteres do programa conseguiu arrancar uma confissão do senado Eduardo Suplicy, na qual ele afirma já ter fumado maconha. Em outra oportunidade os repórteres do programa ficaram impedidos de entrar na Câmara dos Deputados, por fazer perguntas de conteúdo político que os deputados não queriam responder. Some-se a isso uma edição refinada e uma pós-produção que dão um ritmo característico ao programa.

Enfim, é assistir e confirmar. Os bons programas televisivos existem na tv aberta brasileira, é só uma questão de zapear e procurar….


No Brasil nós temos o péssimo costume, mantido em parte pela falta de memória genética da qual somos vítimas, de valorar coisas semelhantes com valores distintos. Eis alguns exemplos:

  1. Costumeiramente a uns tempos atrás, a oposição ao governo federal era sempre tratada como aqueles que queriam atravancar a máquina apressada do progresso. Hoje, no papel de oposição, as mesmas caras acham lícito atravancar qualquer votação por motivos meramente partidários….
  2. A “santíssima” Igreja Católica Apostólica Romana tem vários templos banhados a ouro e repletos de relíquias históricas. Porém, qualquer templo cristão, com aspecto um tanto mais suntuoso, que não pertença a esta ordem religiosa sempre é tachado como fruto do roubo e da ganância de umas “tais seitas evangélicas”.
  3. Esta eu observei a pouco tempo. Durante a visita do “santo” Papa ao nosso país, foram utilizados aviões, frotas policiais, enfim, tudo para garantir um mínimo de conforto ao “santo” homem. Quem não lembra da imagem do bom velhinho cercado da elite policial brasileira, sentado no seu bom e confortável papamóvel ( o veículo é tão exclusivo que leva até o nome de seu cargo). Isso sem contar a luxuosa hospedagem. Aqui em minha província feudal, o simples fato de um líder religioso de ordem religiosa cristã protestante transitar em nossas humildes ruas em um carro aparentemente novo, já faz com que muitos apostólicos torçam de lado o nariz e sussurrem entre becos: Lá vai o ladrão!!!!

E bem neste nível que mantemos qualquer discussão aqui em nossa pátria mãe. Quando aprenderemos a olhar dentro de uma perspectiva semelhante, fatos de semelhante temática?


Para onde…..

09Mai08

Penso que talvez fosse melhor abolir a Bahia dos estados federativos que compõem a nossa nação para fundar um novo estado feudal. Aqui, na região sul, numa pequena e pacata cidade do interior, com não mais que 23.000 habitantes, não há qualquer motivo para celebrar o estado democrático brasileiro.

Em nosso atual momento, sequer temos certeza de que fazemos parte do tal “estado brasileiro”. A lei não nos alcança, o poder executivo municipal é sempre uma extensão territorial da porteira de algum dono de terras, o legislativo é complacente com qualquer proposta absurda advinda do chefe do executivo. Não bastasse isso, nosso “povo”, mergulhado por décadas na crueldade das políticas coronelistas, é de uma servilidade dócil difícil de imaginar, fácil de enxergar. Alguns poucos que ousaram querer alguma coisa, foram exilados em terras distantes.

Não temos acesso a qualquer novidade cultural, nem temos lazer de qualidade. Trabalho não sobra, tampouco falta, por haver de fato nenhum.

Não sei se realmente somos baianos, somos apenas um bando gente que parece ter surgido de uma abiogênese louca e não tem para onde ir. Nosso único consolo é que não estamos sós…..




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